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Mão de Luva


CANTAGALO – A Odisseia de Mão de Luva

A vasta região em que hoje se acha o município de Cantagalo e mais de uma dezena de localidades que se formaram através de desmembramentos desta que se pode considerar como a “Terra Mater” de grande parte do estado do Rio de Janeiro, era conhecida, no século XVIII, como “Sertão dos Índios Brabos” e apresentava-se coberta de espessa mata, sendo habitada por índios nem sempre amigáveis, notadamente os coroados e os goytacazes. A repressão ao garimpo clandestino, ordenada pela Corte de Lisboa, acentuava-se na região de Vila Rica (mais tarde Ouro Preto) e Ouro Branco, na província de Minas Gerais. Nessa localidade, desenvolveu-se um movimento contra o domínio português, baseado nas ideias do Cônego Luís Vieira da Silva, que influenciou muitos mineiros a trabalharem para sua extinção. Um dos cidadãos que garimpava ouro e sofria com a repressão chamava-se MANOEL HENRIQUES. Ouvindo sobre o Sertão dos Índios Brabos, onde havia o “Descoberto dos Sertões do Macacu” local ideal para a garimpagem clandestina, já que inacessível aos agentes do governo, Manoel Henriques organizou um grupo e partiu para a região.

Não existem registros pormenorizados, mas sabe-se que, em 1784, havia um núcleo com cerca de 200 moradias, onde viviam crianças dali naturais. O grupo enviava seus produtos do litoral para o exterior, mercados condizentes com seu volume e valor. O Governador de Minas Gerais, em 20 de junho de 1786, recomenda ao Vice-Rei do Brasil, a “apreensão dos principais cabeças nessa Capital, por ter tido a inteligência... de eles terem saído do sobredito Descoberto para essa mesma Capital, com o fim de assistirem aos Ofícios Divinos da Semana Santa, e darem ao mesmo tempo a costumada e clandestina saída ao ouro extraviado...” (DOC. 20). 1 Manoel Henriques tinha por alcunha o epíteto Mão de Luva, por usar permanentemente, uma luva preta na mão direita, aleijada. Ele, com seus irmãos, Antonio Henriques, Felix da Silva e Ignácio da Silva, liderava uma comunidade bem desenvolvida. Era estimado pelo grupo, inclusive pelos selvícolas, aos quais, segundo o Capitão dos Índios, ensinava a rezar. Vivia em seu rancho, com mulher e filhos, e ainda um escravo e um serviçal pardo. (DOCs.14 e 24)2. Manoel Henriques casou-se, no dia 1 de janeiro de 1775, em Ouro Branco, com Maria de Souza, viúva de Manoel da Costa Ferreira, moradora de Guarapiranga, e assumiu seu filho, Manoel da Costa, como enteado. 3 Iniciando os procedimentos para a tomada da região, D. Luiz da Cunha, em 16/04/1784, além da designação do Sargento-Mor São Martinho para comandá-la, ordenou ao Alferes Joaquim José da Silva Xavier, mais tarde o Tiradentes, que investigasse o potencial da área em termos mineralógicos, sócio-econômicos e militares, para a implantação de postos avançados. A participação de Tiradentes nessa diligência pode ensejar o estabelecimento de algumas hipóteses sobre a sua trajetória como vulto importante na historiografia brasileira. Teria ele sido influenciado pela história do Mão de Luva, passando então de auxiliar do governo a conspirador? 4 Enquanto São Martinho aguardava o resultado de uma carta de engano, enviada ao Mão de Luva, prometendo regularização do garimpo e distribuição das datas minerais com a população local, além de apoio à agricultura, o Vice-Rei comunicava ao Governador de Minas Gerais o envio de 600 homens que iriam ao encontro das tropas mineiras. Mas D. Luiz da Cunha Menezes considerou desnecessário tal cerco, e pediu o envio de 500 armamentos completos, e munição. (DOC. 12).5 Prosseguindo, São Martinho chega às margens do Rio Paraíba do Sul, à altura de Porto do Cunha. Providencia a confecção de canoas para a travessia. Estava determinado a invadir os domínios do Mão de Luva! Com informações, obtidas após várias diligências, pode São Martinho iniciar sua ofensiva. Em 9 de maio, passaram para a margem Sul do Rio Paraíba, o Cabo José de Deos, o Soldado José Antonio da Rocha e oito negros carregados de toucinho e cachaça, fingindo-se de vendedores, para fazerem averiguações. E como estava tudo calmo, no dia seguinte São Martinho atravessou o rio com a tropa, marchando para o Descoberto a meia légua de distância da falsa mascateação. O sol estava a pino, no dia 13, quando o Sargento-Mor chamou à tropa os oito negros da mascateação, e ordenou a José de Deos e José Antonio que persuadissem os habitantes de que a mascateação chegaria no dia seguinte. Eles deveriam abrir a porta, logo que a tropa chegasse, pela meia-noite, tendo antes tirado as escorvas, ou detonadores dos explosivos, das espingardas dos inimigos. Foram esses dois militares que prepararam os detalhes para a invasão da rancharia do Luva, e não um suposto traidor, criado por um escritor! Esgueirando-se pelo mato, cheio de espinhos, e galgando montanhas, chegaram os invasores à lavra. E aí esperaram pela meia-noite. Chegada a hora, São Martinho avançou, orientando os combatentes para se postarem nos lugares previamente assinalados, de onde tomariam as picadas para irem ter a outras rancharias. Mas os comandados agiram com precipitação e desordem, atirando e gritando: “Mata! Mata!”, o que ocasionou a fuga de seis negros. Os brancos também tentaram fugir, mas não conseguiram, porque José de Deos postou-se à porta, com a espada do Luva na mão, defendendo a saída, ao mesmo tempo em que pedia à tropa que entrasse.

Fonte: Wikipedia (CC-BY)

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